
Minha história com Portugal começou antes mesmo de eu entender o que era uma viagem. Desde pequeno, meu pai, português, com aquele orgulho de quem ama a terra onde nasceu, me trazia pra cá com a minha mãe. Ele amava mostrar cada cantinho e eu cresci amando esse país.
Meu pai acabou falecendo em outubro de 2019. Seis anos depois, em outubro de 2025, voltei a Portugal pra correr minha primeira maratona. A ideia surgiu em janeiro, quando a Vivi, minha treinadora, montando meu calendário de provas comentou das maratonas do fim do ano. Quando vi que a de Lisboa era em outubro, pensei na chance de correr na terra do meu pai, no mês em que ele se foi…
Comecei a levar a corrida a sério em 2023, quando entrei pra Azon. O ciclo pra maratona que começou em junho foi difícil demais. A Carol sabe muito bem disso 😂 teve uma paciência absurda comigo, e ainda topou essa viagem do meu lado, te amo muito ❤️
No fim do ciclo o volume estava alto, o corpo cansado, n aguentava mais 😂 mas a cabeça forte. Entreguei 90% dos treinos, o resto o corpo não aguentou. O foco era concluir, e se desse, buscar o sub-3h.
Duas semanas antes, eu e a Vivi decidimos segurar um pouco o ritmo por conta que o percurso era cheio de subidas e descidas até o km 25. Chegamos em Lisboa no dia 22 e, mesmo cansados do voo, turistamos o dia todo 😂 Fui buscar o kit na quinta e o clima abafado já deixava a ansiedade batendo.
No dia da prova, fiz o ritual pré-corrida 😂💩 depois comi, me troquei e conferi tudo: 7 géis, 5 cápsulas de sal e partimos. No caminho, a ansiedade bateu. Cheguei passando mal e tive que usar o banheiro, fiz o que tinha que fazer 💩 e já saí correndo pra largada.
A prova já ia começar, acabou que não ia dar tempo de aquecer nem alongar. Um minuto antes da largada coloquei a mão no bolso e percebi que tinha perdido as cápsulas de sal. Provavelmente caíram no banheiro. Na hora deu aquele desespero, eu transpiro demais e perco muito sal correndo. Mas pensei "agora não adianta, vou compensar bebendo o dobro de água". E fui.
Mentalizei tudo o que vivi no ciclo, cada treino, cada esforço. Mantive o ritmo controlado, respeitando o percurso. No km 23, vi a Carol e ganhei um gás. No 31, as pernas pesaram; no 38, quase chorei. Tentava manter a mente firme o tempo todo.
No km 40, já sabia que não ia conseguir. Nos últimos metros, lembrei do meu pai, das viagens, dos momentos. Cruzei a linha exausto, sem sentir as pernas. Só pensava em achar a Carol.
Esta maratona foi muito mais que uma corrida. Foi um retorno às raízes, uma homenagem ao meu pai, e uma prova de que somos capazes de muito mais do que imaginamos. Cada quilômetro percorrido foi um passo em direção ao homem que quero ser.
Obrigado, Portugal. Obrigado, pai. Obrigado, Carol e Vivi. Essa vitória é de todos nós.
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